Já era tarde da noite, eu estava sozinho e meus pensamentos pertenciam a ela. Pela janela eu via a chuva. Minha cabeça insistia em vê-la entrar pela porta a qualquer minuto, eu já sentia o seu perfume. Que sentimento estranho, era uma certeza tão incerta. Deitado na cama, no quarto escuro, só o barulho da tv me fazia companhia e o sono chegava aos poucos, meus olhos estavam se fechando devagar e devagar minha consiencia deixava o meu corpo. A campainha! Sem que eu precisasse levantar, ela tomou liberdade para entrar. Eu abri um largo sorriso que espantou o sono para longe enquanto a alegria dela tomava conta do lugar. Ela invadiu a minha noite com seu jeitinho meigo, suas risadas sinceras, as conversas gostosas. Ela é carinhosa, interessante, feminina. Ela me toca e me abraça. Ela arranca sorrisos e risadas de mim com tanta facilidade. Ela trouxe vida para o quarto que estava tão frio. Ela chega e bagunça a minha rotina, transforma a minha noite sem graça em uma noite tão gostosa. Rimos, tomamos vinho, nos amamos. Era tão bom tê-la em meus braços. Ela deitou a cabeça em meu peito e descansou. Minha passarinha. Meu abraço à protege e eu quero protegê-la. Eu descansei também. Cedo no dia seguinte, eu acordei com seus beijos carinhosos pelo meu corpo como quem se despedia. Sussurrou em meu ouvido, fechei o olhos e sorri, foi tão bom. Quando eu abri os olhos novamente o quarto estava vazio, como que o vento a tivesse levado embora. A chuva lá fora continuava, eu deveria levantar e começar o meu dia. Mas sem ela? Quando será que ela vai voltar? Será que ela veio mesmo? Sim, agora o seu perfume estava nas minhas roupas. Minha passarinha foi voar, mas ela volta para descansar no meu peito.
Texto de Domingos Ferreira